“Experimentei Comunidade Incrível”
O nosso assessor Rúben Chama esteve à conversa com o Pedro, um estudante de Bioquímica que se converteu e se baptizou recentemente fruto da influência de uma amizade de muitos anos e também do impacto da comunidade e do tipo de conversas e posturas que ele encontrou no GBU em Lisboa. Atualmente o Pedro interrompeu os estudos para viver no Norte de França e trabalhar naquela região, e foi dali que ele conversou com o Ruben via zoom.

RC: Olá Pedro, então atualmente estás a trabalhar onde? Conta-nos tudo.
Pedro: Estou a viver no Norte de França e estou agora a trabalhar pelo menos um ano aqui na Bélgica, neste caso.
RC: Na Bélgica? Ah, ok, ok. Tu vais então do Norte de França todos os dias para a Bélgica? Fica perto?
Pedro: É Quase uma horita de carro.
RC:Ok, ok. Muito bem. E já agora, se não é indiscrição, o que é que estás a fazer?
Pedro: Por agora estou a trabalhar nas limpezas numa das fábricas da Ferrero.
RC: Isso significa que tens chocolates de graça?
Pedro: Infelizmente não, mas fico enjoado de tanto chocolate que limpo.
RC: Acredito, acredito. [risos] Bom, tu recentemente foste estudante universitário em que Universidade e a estudar o quê?
Pedro: Estive na Faculdade de Ciências da Universidade Nova de Lisboa a fazer Bioquímica. Eu não terminei a licenciatura, mas planeio retornar no próximo ano, mas por aqui, no Luxemburgo.
RC: Então pretendes estudar também nessa área mas agora no Luxemburgo?
Pedro: Sim, Bioquímica, Biologia, Biomédica, algo assim nessa área.
RC: Muito interessante! E o que é que gostaria de fazer no teu futuro profissional dentro dessa área? Em que é que te vês a trabalhar?
Pedro: Sempre estive mais interessado no campo da investigação, no trabalho em laboratório. É uma coisa tão aberta, tudo o que seja relacionado à biologia, por isso teria de haver depois uma especialização científica, mestrado, possivelmente doutoramento.
RC: Exato, é uma área de grande especialização. Bem, mudando agora para o tema da fé, que é o foco desta nossa conversa. Hoje em dia tu és cristão, foste baptizado naquela que foi também a minha igreja durante muito tempo, onde também eu fui batizado, a Igreja Baptista de Queluz, recentemente. Tu foste baptizado recentemente, eu já fui há mais tempo. Mas a tua vida não foi sempre assim, ou seja, tu não foste sempre cristão, esse é um desenvolvimento recente. Então, podes contar-nos sucintamente como é que era a tua perspetiva sobre Deus até à tua conversão há alguns anos atrás?
Pedro: Eu sempre tive alguns ramos da minha família que eram católicos, especialmente por influência da minha bisavó, que tive a sorte de ter na minha vida durante algum tempo e sempre foi um bom modelo para mim. Isto nunca me deixou ter uma visão negativa da igreja. Sempre me ajudou bastante! Depois, a dado momento, quando entrei no sétimo ano da escola, conheci aquele que hoje em dia é o meu melhor amigo, o Miguel Sabino, que sempre foi um grande modelo do que é ser cristão para mim. E depois de ele me chatear muito a cabeça, de eu começar a ir à igreja, de eu participar no GBU, eu consegui encontrar uma comunidade que defendia valores morais em que eu acreditava genuinamente e depois, ao começar a ler, fui-me apercebendo “Ok, é isto que eu também acredito”.
RC: Mas tu antes consideravas-te um ateu?
Pedro: Sim, passei basicamente 19 anos da minha vida (agora tenho 20) considerando-me ateu.
RC: Portanto, não acreditavas em Deus. Quais é que eram as tuas maiores objeções? O que é que te levava a não acreditar em Deus?
Pedro: Eu comparava bastante o cristianismo a outras mitologias. Tinha muita crença de que era uma coisa inventada para as pessoas terem paz de espírito, para as pessoas não se desesperarem com os problemas da vida. E acho que o meu foco é sempre muito na ciência. Agora entendo que há dois lados da moeda, fé e ciência, consigo equilibrar bem os dois, mas antes achava que eram duas coisas que não se conjugavam bem uma com a outra, coisas incompatíveis.
RC: E ainda assim, como estavas a dizer, chegaste a Deus ou Deus chegou a ti. Tu podes contar-nos como é que foi o teu processo de conversão? Começou lá atrás com o Miguel, no sétimo ano, mas a fase decisiva é na Universidade, certo? Quando é que começaste a colocar a hipótese de que, se calhar, Deus pode existir e quiseste perceber isso melhor?
Pedro: Bom, pode parecer que estou aqui a engraxar sapatos [risos], mas foi mesmo quando comecei a participar no GBU.
RC: Ok, boa!
Pedro: Vi tantas pessoas, de tantas universidades e cursos diferentes, com histórias diferentes, e que, sendo eu uma pessoa totalmente nova por lá, me trataram como um deles. Todas as conversas que ali havia eram bastante boas, e então eu decidi que precisava de dar uma vista de olhos, precisava de ler, de entender o que é que os motivava, o que é que os fazia acreditar nisto. A partir daí foi um caminho muito fácil de seguir.
RC: Ok, tu chegaste a ir a algumas plenárias do GBU Lisboa, é isso?
Pedro: Sim, sim.
RC: Houve alguma, algum tema, que tenha chamado a tua atenção?
Pedro: Penso que foi em novembro do ano passado, uma conversa sobre o estigma da comunidade LGBT.
RC: Ah, sim.
Pedro: Quando o Miguel me informou o que ia ser falado, eu pensei “ok, vamos lá ver como é que de facto a igreja aborda este assunto”. Não com base naquilo que me dizem que eles dizem, mas ouvindo na primeira pessoa. E o que ouvi foi de facto uma aproximação de amor. Sempre com a distinção de não gostar do pecado mas nunca detestar o pecador, e isso abriu-me os olhos. E foi decisivo.
[Nota do editor: a gravação desta plenária está disponível aqui.]
RC: Muito bem. Mesmo muito interessante. Olhando agora para trás, o que é que tu gostarias de poder dizer ao Pedro do passado? Se voltásses atrás numa máquina do tempo, ias ter com o Pedro que tinha acabado de tomar uma decisão, o que é que tu considerarias que seria urgente transmitir a esse Pedro ou a outros Pedros que podem estar agora em processos semelhantes? Pessoas que, por exemplo, estão agora a ler mais a Bíblia, o que é que tu gostarias de dizer?
Pedro: Ao lerem a Bíblia, procurem Deus, o que Deus diz. Não se procurem a vocês mesmos na Bíblia,não procurem confirmar o que acham do mundo, a forma como vêem o mundo. Porque uma das coisas mais difíceis que eu encontrei na fé cristã tem a ver com olhar para mim mesmo e reconhecer: “sou um pecador, de facto fiz muito mal na minha vida e de facto preciso desesperadamente de Deus”. E se uma pessoa vai ler com a mentalidade de ver o que é que Deus lhe pode oferecer, o que é que pode melhorar a sua vida dentro de objetivos pré-traçados, então pode não estar aberta à mensagem da Bíblia. Porque a mensagem é o oposto: nós é que temos de nos entregar. Eu acho que isto é uma coisa que eu precisava de ter ouvido mais cedo até…
RC: Bem, ainda assim, descobriste e foste descoberto, por Deus, não é?
Pedro: Claro, 100%.
RC: E há alguma coisa que tu gostarias de acrescentar antes de concluirmos esta conversa?
Pedro: Bom, posso deixar uma mensagem para o pessoal do GBU. De facto, o vosso trabalho ao organizar e disponibilizar plenárias é relevante e eu só quero dizer novamente que me ajudou imenso. Se há algo que me facilitou bastante a minha conversão e me motivou bastante a seguir Deus foi ver e experimentar a incrível comunidade cristã, tanto nas plenárias como na igreja. Eu não estaria aqui tão cedo, nem me teria convertido, nem me teria batizado em menos de seis meses após a minha conversão, se não fosse por todas as pessoas que me encorajaram neste processo.
RC: Graças a Deus, graças a Deus.
Pedro: Amém.
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