” A missão continua” – Discurso da Finalista Roxana – GBU Porto

Olá todos!

Confesso que quando me pediram para vir falar um pouco em nome dos estudantes, pensei: “eu? Porquê eu?” Quem me conhece sabe que eu não gosto muito de falar em público. Mas ainda bem que aceitei porque foi muito importante para mim, para refletir sobre estes anos na universidade.

Para quem não me conhece, eu sou a Roxana, acabo agora o primeiro ciclo (a licenciatura) em Educação Básica. E hoje venho partilhar um bocadinho daquilo que foi a minha experiência, aquilo que aprendi, o que me marcou durante este ciclo. E, espero eu, trazer também uma palavra de encorajamento para todos aqueles que estão a concluir uma etapa académica.

Admito que quando estava a inscrever-me para este curso só pensava “OK, eu vou fazê-lo só pelo diploma. Vai dar-me mais estabilidade no futuro. Porque na verdade o conhecimento que eu quero obter está mais lá fora do que no curso.” Era assim que eu pensava: Universidade=Diploma.

Mas, ao longo desta jornada, aprendi que a Universidade pode ser encarada de duas formas muito diferentes: como essa oportunidade utilitarista, até egoísta, onde o foco é o nosso currículo, o nosso diploma, a nossa ambição profissional; OU como um lugar de serviço, dando espaço à ideia de que estamos aqui para servir. Que aprendemos, crescemos e somos preparados para dar e não só para receber. No momento atual servimos a academia e, de igual modo, no futuro servimos a nossa sociedade. Encarando assim o percurso universitário, deixamos de pensar só em nós e naquilo que queremos adquirir e começamos a ver o outro e o meio em que estamos inseridos como uma oportunidade de serviço.

Para além disso, a Universidade pode ser muito divertida, há toda uma cultura académica, uma linguagem própria, festas, praxe, enfim,… a vida académica no seu melhor. Mas é também muito mais do que isso. É também um lugar onde somos postos à prova – e não estou a falar só dos exames, mas principalmente do nosso caráter, dos nossos desejos, da forma como pensamos, e acima de tudo, para quem é cristão, estou a falar da nossa fé.

Enfim, os desafios são muitos:

  • A ansiedade constante de termos de apresentar respostas certas, de estar sempre no nosso melhor;
  • A vulnerabilidade, porque todos nós tivemos momentos em que não sabemos tudo e em que precisamos de ajuda;
  • A competição – por notas, por reconhecimento, etc. (sabendo que há muita vaidade, ego, interesses que se sobrepõem);
  • O desleixe dos outros que por vezes nos sobrecarrega;
  • O desafio de manter uma ética íntegra, uma atitude correta, de não ser pedra de tropeço, e de procurar participar da vida académica sem sermos moldados por ela;
  • E, ainda, a solidão, o sentimento de não sermos capazes e de estarmos sozinhos nisto. E quem me é mais próximo sabe que muitas vezes tive esse pensamento: “não sei se vou conseguir”, “tenho medo de não ser capaz”.

Porém, Deus usa a Universidade para trazer ao de cima a nossa fé verdadeira. E houve muitos desses momentos em que eu tive que confiar mais em Deus do que em mim, tive de reconhecer a soberania Dele na minha vida. Se estava na Universidade, era porque Deus me queria lá e me ia dar forças para prosseguir. Então comecei a ver oportunidades a surgirem. Além de experiências que enriqueceram o meu portfólio profissional, tive a alegria de poder servir, de poder amar o próximo e também de poder partilhar a minha fé (o GBU foi importante para isto). Entendi claramente no meu primeiro ano que Deus me colocou na minha universidade para eu ter um relacionamento intencional especialmente com uma amiga específica para poder partilhar o amor de Jesus com ela.

E ser cristão na universidade é isto. Não é só dizer que se é. É mostrar. É SER antes de querer TER. É ser sal, ser luz — de forma visível.

A fé que temos na universidade já não é a fé dos nossos pais. Tem ser nossa, minha, pessoal. Ou temos, ou não temos. Ou mostramos, ou escondemos. Mas não podemos viver indiferentes. Por isso, surge uma pergunta importante: a universidade sabe quem eu sou? Sabe de quem é que somos filhos? Reconhecem a nossa fé?

Nós podemos mostrá-la através do respeito com que tratamos os professores, da paciência com os colegas, da honestidade em todos os momentos. E se alguma vez viram algo de diferente em nós, então que saibam: não é mérito nosso. Mas é Deus em nós. (Como a Aninha sempre diz quando algo de bom acontece: Glória a Deus!)

E devemos manter esta atitude mesmo quando ninguém vê ou mesmo quando se riem ou gozam. Em Hebreus 11:25 lemos que “melhor é escolher ser maltratado com o povo de Deus do que, por um pouco de tempo, usufruir dos prazeres do pecado”. Por vezes queremos o reconhecimento do mundo e, por isso, fazemos coisas que desagradam a Deus – para ser valorizados pelos colegas ou pelos professores. Mas a Palavra de Deus lembra-nos que o reconhecimento que importa é o do céu. Nada compensa desobedecer a Deus.

Ainda no v. 16, o texto diz, “Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial (a pátria). Pelo que, também, Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” E não é melhor sermos reconhecidos por Deus por meio de uma fé pública da qual Deus não se envergonha de nós?

Uma outra coisa que me marcou nesta caminhada académica foi perceber que o nosso testemunho permanece na Universidade depois de sairmos de lá. Nós podemos sair da Universidade, mas aquilo que fomos — as nossas palavras, gestos, a forma como tratámos os outros- pode deixar uma marca. Quem sabe se… daqui a 5 ou 10 anos um professor não vai recordar algo gentil que fizeste enquanto foste seu aluno. Temos um Deus maravilhoso que continua a trabalhar na Universidade, estando lá presente mesmo que nós já não estejamos lá.

Por isso, colegas finalistas, hoje concluímos uma etapa. Uns continuam os estudos, outros já vão começar a trabalhar, e em qualquer caso, assim como fizeram os heróis da fé, que possamos confiar em Deus e nas suas promessas, mesmo que não vejamos a terra prometida. Porque “sem fé ninguém pode agradar a Deus. Quem se aproxima de Deus deve acreditar que Ele existe e recompensa os que o procuram” (Hb. 11:6).

E o nosso testemunho não termina aqui. A missão continua na Universidade e na sociedade. Há muitas pessoas que ainda procuram coisas que não satisfazem. Porquê? Porque não sabem quem são, não sabem o que são. Que nós, como filhos de Deus, tenhamos compaixão por essas vidas e possamos apresentar-lhes as boas novas, independentemente do lugar onde estivermos 🙂

E quero lançar-vos um desafio final. Leiam o capítulo 11 de Hebreus, o capítulo dos grandes exemplos da fé. Vão ver que está cheio de afirmações começadas por “Pela fé…”. Também vocês podem pensar na vossa caminhada na Universidade e, a partir dessa caminhada, podem preencher a frase “Pela fé…”

Tendo citado alguns versículos de Hebreus 11, quero terminar este momento com Hebreus 12:1: “Estamos, pois, rodeados por esta enorme multidão de testemunhos de fé. Portanto, afastemos de nós o peso que nos impede de andar e o pecado que tão fortemente nos prende, e perseveremos na corrida que Deus nos propõe.”

Continuem perseverantes na vossa corrida. Obrigada.

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