É bom ter mais um momento na minha semana para falar de Deus e estudar a Palavra.

Desta feita, na nossa rubrica de entrevistas a estudantes recém-convertidos, a assessora Josy Couto dá-nos a conhecer a Luana, uma estudante da Universidade do Minho, no campus de Guimarães, que nos conta como chegou à fé cristã há pouco mais de 1 ano, no meio de um processo familiar atribulado, e como Deus tem transformado a vida e a família dela. Nesta conversa participou também a Sara Morais, líder do GBU Guimarães e amiga da Luana desde o início do curso de ambas, numa amizade que nasceu quando a Luana nem sonhava em converter-se a Cristo. 

Josy: Olá Luana! Obrigada, antes de mais, por estares estares disponível para esta conversa. Então, atualmente estás a estudar na Universidade do Minho e fazes parte do GBU na cidade de Guimarães. Antes de começarmos a fazer perguntas mais profundas, podes apresentar-te brevemente, dizer o que tu estudas, quais são os teus interesses e de que forma tens estado envolvida com o GBU?

Luana: Eu estudo Design e Marketing de Moda na Universidade do Minho. Estou agora a terminar o 3º ano e faço parte do GBU desde o início deste ano letivo. Eu gosto muito de desenhar, gosto muito de música. Embora atualmente não consiga dedicar-me tanto a essas coisas por causa da Universidade. No GBU Guimarães tenho participado regularmente dos estudos bíblicos semanais.

Josy: Hoje em dia és uma cristã que participa no GBU e também numa igreja local, de forma ativa. Mas a tua vida nem sempre foi assim, certo? Podes-nos contar, sucintamente, qual era a perspectiva que tu tinhas acerca de Deus, sobre a fé cristã e como é que a tua família tratava esse assunto da religião e de Deus enquanto tu crescias? 

Luana: A minha família, principalmente a parte da minha mãe, é quase toda espírita, até hoje. E a minha mãe também era e, consequentemente, eu própria também. Ainda assim, na prática nunca tive um interesse grande por religião; quando eu era mais nova, ouvia que, sim, Deus existe, mas Ele estava muito ocupado para ter qualquer tipo de relacionamento connosco. Por causa dessa ideia é que, no meio espírita, se ensina a orar não a Deus mas a espíritos que estão por aí. Quando se ora a Deus não é tanto numa atitude de pedir muitas coisas ou de dizer-lhe muitas coisas, é apenas numa lógica de agradecer antes de dormir e rezar o Pai Nosso ou a Ave Maria. Mas Deus em si não era alguém acessível. A minha mãe não me impôs muito a prática do espiritismo, ela apenas queria ensinar-me a orar como ela orava mas não ia muito além disso. Eu ouvia coisas sobre o Espiritismo, tinha alguns livros sobre esse tema e normalmente era a minha avó quem falava sobre o assunto mais intencionalmente e quem me dava esses livros. Assim eu acabava por aprender coisas com base no que elas acreditavam, mas sem questionar ou aprofundar muito o assunto. Se calhar posso dizer que eu acreditava na existência de Deus da mesma forma que eu acredito, por exemplo, que o Canadá existe; mas eu nunca fui lá. 

Josy: Ok, então era uma crença muito impessoal, não era? 

Luana: Sim, era isso.

Josy: Mas não obstante a tua perspectiva prévia e o teu contexto anterior, tu chegaste a Deus, certo? Deus agora é alguém mais pessoal na tua vida. Podes falar um pouco sobre a tua conversão a Cristo? O que é que te levou a buscar respostas na fé cristã? Em que contexto é que isso aconteceu? Ou podes contar-nos também como é que houve essa mudança? 

Luana: A minha mãe foi a primeira a converter-se e depois o meu padrasto. A minha irmã também ia com eles à igreja, porque ela gostava, mas eu inicialmente não gostava nada daquilo. Eu não gostei do facto da minha mãe começar a ir à igreja, porque eu tinha algum preconceito acerca dos cristãos. Para mim, a igreja era um sítio onde só pediam dinheiro e onde os líderes julgavam moralmente os crentes, ameaçando-os, dizendo que iam para o inferno caso não fizessem tudo certo… Isto porque eu conhecia uma ou duas pessoas que eram assim e acabei por generalizar.

Com o passar do tempo eu via que a minha mãe estava muito diferente e, sinceramente, eu não gostava disso, porque ela agora dizia coisas que eu não entendia nada, o que ela me dizia não fazia sentido. Isto tudo aconteceu numa altura difícil no casamento da minha mãe e do meu padrasto. Eles estavam prestes a divorciar-se e, na verdade, naquela altura eu queria que isso acontecesse, porque eu e o meu padrastos tínhamos uma relação complicada e o ambiente era muito tenso em casa. Hoje em dia somos ambos pessoas diferentes e a nossa relação já é melhor. 

Quando eles começaram a frequentar a igreja anunciaram que já não se iam separar e que iriam fazer terapia com os pastores da igreja. Ora isso, na altura, deixou-me muito chateada porque eu achava que a nossa família estava um caos… então fiquei ainda mais de pé atrás com Deus, pois eu não compreendia como é que Deus havia de querer manter esta nossa realidade. A minha mãe estava convicta que Deus ia restaurar o seu casamento e levou-me algumas vezes à igreja, mas eu rejeitava tudo o que via e ouvia lá.

Mas foi também por essa altura que se deu o início da minha conversão. Numa noite, quando tentava dormir, comecei a sentir-me bastante mal fisicamente, de uma forma que eu nunca tinha sentido antes. Pedi ajuda em casa e a minha mãe começou a orar por mim até que fiquei inconsciente e só acordei de manhã. Na altura concluímos que este episódio tinha também uma dimensão espiritual, sentimos que foi um forte ataque do inimigo e, ao perceber isso, fiquei bastante assustada e fiz logo a oração de aceitar Jesus, com a ajuda da minha mãe. Naquele momento fiz essa oração essencialmente por medo, não queria que aquela noite voltasse a acontecer. Depois comecei a ir à igreja com mais regularidade, mesmo que ainda tivesse dúvidas sobre Deus. Perguntava-me: “Se Deus é tão bom e se Ele se preocupa comigo, porque é que aquilo aconteceu?” Mas agora eu vejo que se não tivesse havido aquele episódio, provavelmente eu não estaria aqui hoje. Depois com o tempo comecei a perceber como Deus cuida de mim a cada momento e a experimentar o amor que Ele tem por mim em todas as coisas, até mesmo naquele episódio difícil. 

Tornei-me mais assídua na igreja e sinto que, um certo tempo depois disso, converti-me verdadeiramente. Acho que perguntas sempre vamos ter, mas agora nenhuma delas é grande o suficiente a ponto de me afastar de Deus. Eu achava que eram questões que precisavam de ser respondidas com urgência e que determinavam se eu ia crer ou não. Quando, na verdade, não é bem assim. Eu percebi que posso crer independentemente de não ter todas as perguntas respondidas.

Josy: Portanto, Deus chegou a ti e acredito que isso já tem feito, desde então, muitas diferenças na tua vida. Será que tu consegues identificar alguns aspectos, ou mesmo áreas, que claramente consegues ver um antes e um depois? Por exemplo, seja na tua área com a tua família, na universidade… 

Luana:  Em casa, posso dizer que só agora é que realmente somos uma família, uma família saudável. Somos pessoas novas e as nossas relações foram restauradas. Foi uma mudança radical e o ambiente já não é como era dantes. Agora conseguimos conviver com as nossas diferenças e conversar sobre elas.

Em relação a mim, a mudança também é bastante radical. Eu acreditava que eu era uma pessoa que, na verdade, não sou. Porque eu agora sei que a minha identidade está em Cristo. E que eu sou quem Ele me fez para ser, não sou aquilo que eu faço de mim mesma. 

Isto mudou a forma como eu vejo o mundo e como eu me vejo a mim mesma.  Há coisas que eu fazia que não estavam alinhadas com a vontade de Deus, coisas que eu já não faço. Há ideias que eu tinha e que eu já não tenho no que toca aos valores também.

Josy: E em relação à universidade, sentes também que há um antes e um depois? Da forma como tu encaras, por exemplo, os teus colegas, os estudos, ou mesmo o teu curso. Agora que tu caminhas com Jesus, há alguma diferença? 

Luana: Sim, sim. Não no sentido de desempenho porque eu já era estudiosa, eu já me dedicava. Mas eu sinto que antes não tinha propósito em nada do que fazia. E é muito diferente fazermos as coisas só por fazer e fazer as coisas para Deus. Agora tenho uma motivação completamente diferente para tudo porque a minha vida começou a fazer sentido desde há um ano para cá. 

Josy: E refletindo um bocadinho sobre o GBU, o que é que o GBU te tem trazido? O que a participação regular tem acrescentado à tua vida? 

Luana: É bom ter mais um momento na minha semana para falar de Deus e estudar a Palavra. E eu gosto muito de ter esse momento de partilha de ideias sobre a Bíblia, ainda para mais num contexto diferente daquele que é a igreja e as células da igreja. O GBU acontece durante a semana, são sempre dias em que é muito fácil a gente se distrair com outras coisas e se dedicar apenas a trabalhos, estudos e tudo o resto. Mas o GBU é como uma lembrança de que nenhuma parte da minha vida é independente de Deus, Ele tem que estar em todas as áreas da minha vida e a minha participação no GBU foi importante para isso começar a fazer sentido na minha cabeça. 

Josy: A participação no GBU teve algum impacto na tua conversão ou tu só chegaste ao GBU depois de te converteres? 

Luana: Só cheguei depois de me converter e depois de estar já há alguns meses na igreja. Acho que o GBU está a ser importante para eu compreender como posso estudar a Palavra. Cerca de dois meses depois de eu me converter, a minha mãe ofereceu-me uma Bíblia e eu comecei a lê-la, mas eu não sabia como realmente podia estudá-la e o GBU ajudou-me nesse sentido, dando ferramentas para aprender a ler a Bíblia e a extrair dela ensino e aplicação para a vida, não é só ler por ler. 

Mas antes de estar no GBU e antes de me converter eu já conhecia a Sara, atual líder do GBU Guimarães. Na verdade, nós somos amigas desde o 1º ano do curso, se calhar logo desde os primeiros dias. A nossa amizade foi-se aprofundando e a certa altura eu desabafava com ela e ela ouviu todos os absurdos que eu dizia sobre a fé cristã. Na época ela já era líder do GBU Guimarães e por vezes eu fazia-lhe algumas perguntas sobre os estudos que ela ia dar no grupo, mas eu nunca ia. 

Josy: E tu Sara, convidavas a Luana a ir ao GBU? 

Sara: Acho que houve uma altura em que, quando eu ia para o estudo, a Luana também estava lá na Universidade e eu perguntava-lhe se ela queria juntar-se a nós. Ela respondia sempre que não. Só que houve uma vez em que não apareceu mais ninguém no estudo e eu acabei a fazer o estudo com ela (risos). 

Josy: Agora, peço que olhes para trás, para a tua vida do passado. Se pudesses ter uma conversa com o teu eu, de alguns anos atrás, ou mesmo do ano passado, antes de te converteres, o que é que tu dirias a essa Luana? O que é que seria mais urgente transmitir à Luana de um ano e tal atrás? 

Luana: Diria que, embora ela achasse que soubesse muito bem quem ela é, na verdade ela não sabia de nada. Diria-lhe também que, eventualmente, as coisas iam se consertar e para ela não ser tão resistente a tudo o que acontecesse. 

Josy: Muito obrigada, Luana, por nos contares a tua história. Obrigada também, Sara, por ter estado aqui a dar apoio. Aliás, pelo que eu entendi, a Sara tem sido sempre um bom apoio para ti, não é? 

Luana: Sim, desde sempre!

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