Superando o ego na época de exames 

Uma reflexão da assessora Joseanne Couto.

ÉPOCA DE EXAMES: três palavras que, para a maioria dos estudantes, se traduzem em tempos muito desafiantes e desgastantes. Efetivamente, são horas e horas passadas a estudar, dias dedicados a absorver conteúdo e muitas renúncias feitas em prol da dedicação e do esforço. 

De facto, nesta jornada, o universitário pode regozijar-se pela nota obtida, mas também sentir-se transtornado pela reprovação ou mesmo pelo facto do resultado final não ter sido o esperado.  Contudo, este período pode significar muito mais. Não raras vezes, esta fase traz para cima da secretária muito daquilo que ocupa o coração e sublinha, com um marcador bem amarelo, os pilares sobre os quais está construída a identidade do estudante. 

Nestas semanas de árduo estudo, tu podes facilmente sentir-te vaidoso pelo sucesso académico que obteviste, mas também te podes sentir esmagado pela comparação, assombrado pela invisibilidade e obcecado pela busca de validação académica, social e até mesmo pessoal. 

Diante dos possíveis cenários, se o foco do estudante é “provar” o seu valor, este desafio acaba por converter-se na idolatria do seu próprio “eu”. Face a tal realidade, surge então a questão: “Como manter o foco em Cristo quando o nosso ego, na época dos exames, parece ser um obstáculo constante?”

Em tempos de pressão académica é frequente o estudante universitário colocar e avaliar o seu verdadeiro valor nos seus resultados académicos. Mas se caíres nesta armadilha, a consequência desta avaliação é que tu te vais sentir encurralado pelas exigências do desempenho colocadas pelos outros e por ti mesmo, e pelas comparações constantes, esquecendo-te que o teu verdadeiro valor não está nas tuas notas, mas naquilo que Deus já declarou sobre ti. Na prática, quando tu te deixas levar pela competição e pela busca de aprovação, corres o sério risco de perder de vista a jornada de crescimento que Deus colocou diante de ti. 

O teólogo Timothy Keller, no seu livro O Ego Transformado, aprofunda esta ideia ao alertar que, quando centramos a nossa vida na necessidade de ser o melhor ou de provar o nosso valor, acabamos por idolatrar a nossa reputação. Essa idolatria prende-nos e faz com que a nossa autoestima dependa de resultados que, por mais altos que sejam, nunca serão suficientemente satisfatórios. É um ciclo exaustivo, onde tentamos continuamente conquistar aquilo que Cristo já conquistou por nós. 

Na obra mencionada, Tim Keller ensina ainda que essa busca incessante por validação pode ser comparada a, voluntariamente, se colocar diante de um “tribunal imaginário”, onde “todos buscamos um veredicto definitivo que afirme que somos importantes e valiosos. Buscamos esse veredicto definitivo todos os dias, em todas as situações e pessoas ao redor. Isso significa que todos os dias estamos sob julgamento. Todos os dias nos colocamos de novo em um tribunal onde se  é constantemente avaliado e julgado”1

Felizmente, não tens de passar por este sistema judiciário tão penoso e tão vazio de graça! Ao abrirmos a Bíblia em Romanos 8:1 lemos uma verdade libertadora:“Portanto, agora já não há condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus.”. Por outras palavras, o aluno universitário pode e deve proclamar esta verdade, mais alto até que o grito académico: “O julgamento terminou! A sentença foi proclamada! Em Cristo, todos são aceites, amados e libertos da pressão de provar o seu valor.” Esta compreensão do evangelho traz descanso para a alma. 

Verdadeiramente, quando tu enquanto estudante entendes e aceitas que, em Jesus, já foste liberto da necessidade de construir a tua identidade com base no teu desempenho e naquilo que os outros pensam de ti, esta compreensão permite que tu vivas, estudes e trabalhes com um propósito maior, livre do peso do ego e da competição, pois descobres que, em Cristo, o teu valor não está naquilo que fazes mas naquilo que Ele já fez por ti.

Assim, com os olhos fixos no Filho de Deus, o estudante pode alegrar-se no processo de aprendizagem, sem tornar esse processo num instrumento de autovalidação. Paralelamente, o universitário encontra a verdadeira alegria e a paz para perseverar, pois, quando se foca em Cristo, pode ver os estudos como uma oportunidade de crescimento pessoal e espiritual e não como uma opressão esmagadora. 

Definitivamente, a época de exames pode ser uma oportunidade única de crescimento académico, mas também espiritual, quando o foco é Cristo e quando pomos de lado a idolatria pessoal. Deste modo, libertos do peso do ego e com os olhos fixos em Jesus, encontramos verdadeiramente a nossa identidade, não por aquilo que fazemos ou alcançamos, mas por aquilo que d’Ele recebemos!

  1.  Timothy Keller, O Ego Transformado, Capítulo 3. 
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